terça-feira, 21 de outubro de 2008

NOVELAS X ÍNDICES DE AUDIÊNCIA


O assunto do momento, em todos os programas e blogues que discutem televisão, é a queda de audiência das novelas, principalmente, as produzidas pela Rede Globo.

Acredito que altos índices são coisas do passado, de um tempo em que apenas a Globo produzia novelas de qualidade e as demais emissoras, apenas tateavam em busca de um espaço e marcavam pontos de forma esporádica..

A Globo, tornou-se praticamente uma rede de novelas, com o seu poderoso Projac. As novelas consomem 6 horas diárias, com novelas de 200 capítulos em média e mais os sitcoms, quase todos os dias, inclusive no domingo.

A Rede Record entrou na briga diretamente e passou a produzir novelas no rastro da poderosa, a fim de açambarcar-lhe a audiência e conseguiu em parte o seu intento.

Aí vêm as perguntas: - O que aconteceu com o fiel telespectador das novelas? Porque ele migrou de canal? Por que ele trocou de uma novela para outra novela, noutro canal? Porque as pessoas não correm mais para casa, para assistir o último capítulo?

Acredito que não seja apenas um, mas uma série de fatores que causam esse efeito, como:

1) Excesso de novelas no ar.

2) Desconsideração com os telespectadores, priorizando a audiência.

3) Preocupação com o produto da concorrente, em detrimento da qualidade.

4) Repetição dos mesmos atores em novelas sucessivas.

5) Novelas muito longas, sem conteúdo suficiente que lhes dê respaldo, e aí repentem-se as situações, até a exaustão.

6) Repetições de temas como, golpe da barriga, em lugar de ensinar a prevenção, seqüestros, chantagens em demasia, apelação nas personagens GLS, meninas pobres caçadoras de maridos ricos, etc..

7) Galãs e heroínas muito tolos, frágeis, sem personalidade, facilmente ludibriáveis, com inteligência medíocre. Poucos deles promovem grandes viradas em suas vidas.

8) Figuras caricatas, estereotipadas e ridículas, geralmente entregues a grandes galãs do passado.

9) Vilões com deformações psíquicas graves, que vencem vezes demais. O público passa a torcer pelo vilão que tem melhores momentos de interpretação, em prejuízo do mocinho bobo, que perde todas.

10) Histórias mal amarradas, mal desenvolvidas, com enormes furos.

11) Pouca mensagem e ensinamentos para a vida do telespectador. Estão ensinando mais, o que não deve ser feito.

12) Pouca identificação com a vida real, o que não provoca a emoção do ver-se espelhado. Excesso de ficção e o ato de matar banalizado.

13) Falta de romances convincentes que mexam com a emoção.

14) Mudou o público.

15) Aumentaram as opções. Apareceram os canais a cabo, a internet e os DVDs. O público também mudou em função da Globalização; tem mais conhecimento ao seu alcance e gosta de interagir.

16) O famoso índice de audiência, tem falhado muito e não espelha mais a realidade do país, mas mesmo assim, continua está sendo o fio condutor das negociações com os patrocinadores e como tal, sendo a principal preocupação das emissoras. Desta forma impedem o tempo necessário para criar o vínculo.

Como exemplo, no atual momento, a Globo está com duas novelas novíssimas, que vêm repetindo, situações antigas. Os galãs não têm personalidade, são frágeis, facilmente ludibriados, com fala e cara de coitadinho, restando-lhes apenas a beleza do galã e o fato de sabermos que ele é o principal nome da novela. Nessa situação se encontra o Fábio Assumpção, que já era um bobalhão em “Paraíso Tropical”, e agora, está mais tolo, em “Negócio da China”. Os vilões estão dando “banho”, como foi o caso do Wagner Moura em “Paraíso”. Por outro lado os vilões e vilãs, também estão conseguindo se sair bem em todas as suas falcatruas, que são repetidas, no mínimo umas cinco vezes em cada novela. Papéis ridículos e estereotipados estão sendo entregues a grandes atores, como Otávio Augusto, Vera Holtz, Luiz Gustavo e Regina Duarte em “3 Irmãs”, e José Mayer em “A Favorita”. Uma quantidade enorme de núcleos, com histórias mal desenvolvidas, desperdiçando atrizes e atores maravilhosos, como foi o caso de Maria Fernanda Cândido em “Paraíso” e agora Taís Araújo em “A Favorita”. E candidatos a galãs que aparecem sempre no mesmo personagem, como é o caso de Paulinho Villhena, que só distinguimos que é “3 Irmãs”, pela presença da prancha. Na concorrente, partem para as bizarrices, e como elas dão audiência, esticam até rebentar e perdem totalmente o enredo: se é, que algum dia teve. Acho que é tempo demais para pouco enredo. Em 120 capítulos já poderiam encerrar a novela, tendo a enorme gentileza de finalizar todas as situações propostas, com qualidade.

Não vejo a menor possibilidade de nenhuma das atuais novelas, ampliar os tão desprezados 15 a 30% de audiência. Convenhamos que, pelo produto apresentado, essas porcentagens são boas demais.

Para finalizar, acho que as emissoras deveriam voltar a se preocupar com bons conteúdos, analisar as audiências do Brasil inteiro, e talvez adaptar romances famosos nacionais e estrangeiros, com personagens fortes, inteligentes e que passem boas mensagens. Talvez partir para musicais, voltar às novelas de situações regionais e em lugares menos urbanos. Por fim ter paciência suficiente, para deixar emplacar e atender menos, os índices.

Vanny Marques 17 de outubro de 2008

2 comentários:

ATuS Turquete disse...

Precisamos divulgar melhor o nosso site!!

Vanny forever disse...

Atus, com certeza, só não sei onde!!! ou melhor acho que tem que ser lá no Parabólica, e talvez pedir uma forcinha ao Vannucci. Se ele comentar as pessoas entrariam. Você não viu a tal da Sônia pedindo pelo Todo Canal. É por aí.